Um estudo recente, conduzido pela Agenda Jovem Fiocruz em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), rev...
Um estudo recente, conduzido pela Agenda Jovem Fiocruz em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), revela uma preocupante realidade sobre a saúde dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos. O dossiê "Panorama da Situação de Saúde de Jovens Brasileiros de 2016 a 2022" analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando múltiplos desafios enfrentados por essa faixa etária.
O estudo aponta que 30% dos casos de violência atingiram jovens, com adolescentes de 15 a 19 anos apresentando uma taxa de ocorrência duas vezes maior do que os jovens entre 20 e 29 anos em todas as regiões do Brasil. Alarmantemente, 73% das vítimas jovens de violência são mulheres.
A saúde mental também se destaca como preocupação, sendo os transtornos mentais a principal causa de internação para homens de 15 a 29 anos. Entre as mulheres, aquelas com emprego estável e carteira assinada lideram as notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho, resultando em afastamento temporário em 50% dos casos.
O levantamento revela que 33,03% de todos os acidentes de trabalho notificados entre 2016 e 2022 ocorreram em jovens de 15 a 29 anos, com a maioria sendo homens (78%). A informalidade no mercado de trabalho afeta quase metade dos jovens ocupados, enquanto mais de um quarto
deles enfrentou algum fator de agravo à saúde no trabalho nos últimos 12 meses.
Mulheres jovens que trabalham na área da saúde são as mais afetadas por acidentes com material biológico, representando 74% das vítimas. A esterilização também é uma preocupação, sendo a principal causa de internação para mulheres de 25 a 29 anos, totalizando 152.637 procedimentos entre 2016 e 2022.
André Sobrinho, coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, destaca a importância de compreender os jovens como detentores de direitos, ressaltando que a juventude é um período de diversos percursos até a vida adulta. O estudo utilizou dados do SUS, como o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o Sistema de Informações Hospitalares (SIH-SUS), e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), além de informações da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar Contínua (PNAD Contínua) do IBGE.
Bianca Borges, pesquisadora da Escola Politécnica, destaca a importância dessas informações para orientar políticas públicas e chama a atenção para o potencial dos sistemas de informação do SUS.
O estudo reforça a necessidade urgente de abordar questões específicas relacionadas à saúde dos jovens, incluindo a implementação de políticas públicas mais direcionadas e eficazes. O reconhecimento da diversidade da juventude, considerando fatores como gênero, raça e localização territorial, é crucial para promover um ambiente mais saudável e seguro para essa parcela significativa da população brasileira.


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